O projeto
Será esta a residência "Ideal"?
Outrora uma enorme fábrica de produção de tecidos e malhas, a "A IDEAL" contrastava com o seu recente estado cada vez mais decadente. Localizada na frente ribeirinha de Coimbra, na zona do Arnado, a fábrica foi construída nos anos 20 e operou até aos anos 90. A sua presença não só recordava um edifício em ruínas, como também a era da industrialização portuguesa no século XX. Atualmente, esta região, outrora dominada pela indústria, está a ser transformada com a implementação de novos programas, sobretudo no setor da hotelaria e dos serviços. Neste contexto, em 2017 surgiu um projeto da autoria do gabinete de arquitetura Nuno Valentim, Frederico Eça e Filipa Pereira. O projeto envolveu dois edifícios no mesmo terreno: um foi construído do zero e a antiga fábrica foi alvo de uma reabilitação para instalar uma Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI), com valências capazes de acolher diversos tipos de utentes, desde os mais dependentes, que necessitam de cuidados continuados, até aos mais independentes, com total autonomia. A obra foi concluída em 2023 e inaugurada em junho de 2025. A reabilitação da antiga fábrica, ou "Volume A", consistiu na recuperação de todos os aspetos arquitetônicos que identificam o local, como a conservação das fachadas de tijolo, a reconstrução das coberturas e a preservação dos elementos estéticos, entre outros, bem como na implementação de todos os equipamentos necessários para criar condições que permitam acolher os restantes utentes de forma digna e confortável.
Arquitetura
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Nuno Valentim, Frederico Eça, Filipa Ferreira.
Categoria
O desafio
Podemos afirmar, mais uma vez, que este foi um projeto de grande escala, que envolveu a reabilitação de um edifício histórico, que outrora moldou parte da paisagem do litoral do rio Mondego. Assim, foi fundamental valorizar e representar fielmente este património centenário, mantendo o seu caráter industrial. No entanto, podemos afirmar que parte do desafio começou logo aí. O avançado estado de degradação do edifício, bem como a falta de elementos e/ou referências, tornou o nosso trabalho mais difícil, mas também mais aliciante. As arcadas, as bandeiras, os batentes personalizados, as molduras e outros elementos, aliados aos magníficos e vibrantes acabamentos bicolores, contrastam significativamente com a pintura exterior, bela mas suave, e com a forte iluminação no interior do edifício, o que realça ainda mais os nossos caixilhos e o que estes simbolizam neste contexto: qualidade, beleza histórica e conforto.
Outro aspeto a referir é o facto de esta reabilitação resultar num edifício habitacional para pessoas idosas, muitas com dificuldades extremas e dependentes de cuidados especiais. Por conseguinte, o conforto foi um fator determinante na escolha dos caixilhos, mas sobretudo dos vidros. Foi necessário optar por vidros com elevados índices térmicos, de modo a manter a temperatura ambiente ideal, e acústicos, de modo a prevenir que os barulhos da cidade prejudiquem o repouso destas pessoas.